-Um dia normal, o clima usual dos verões porto-alegrenses. Sentia uma brisa que me soprava o pescoço ao andar embaixo das árvores da praça.
De repente, como Chapeuzinho Vermelho que quer descobrir o outro lado da floresta, fui desviada do meu trajeto.
Entrei na primeira esquina à direita, e na outra à esquerda. Sabia muito bem onde aquilo daria, mas não me importei. Deixe-me levar por todos os impulsos que me mandavam para lá.
Cheguei ao velho casarão, de paredes descascadas e do conhecido cheiro, uma mistura de lembranças e pessoas. Que saudades das minhas pessoas...
Quando entrei, no entanto, nada parecia envelhecido. Estava tudo em seu lugar, como se eu nunca tivesse ido embora. E, para minha surpresa, tampouco meus amigos tinham deixado a casa – estavam lá, à minha espera.
Ligaram a música, acenderam todas as luzes e começamos a dançar. Era tudo como antes. E era maravilhoso! Corremos pelo pátio, brincamos de pega-pega e esconde-esconde, soltamos pipa naquele céu azul e caímos deitados na grama verde. Me sentia viva novamente, com aquelas cores vibrantes, com aquela energia.
A noite ia se aproximando e nada mais importava. Só nós mesmos, nossas idéias e expectativas – o ritmo era desenfreado, mas não podíamos mais esperar! Entramos no velho carro, que ainda funcionava perfeitamente, e viajamos. Por horas. Quando chegamos ...
-Hum... engraçado. Não me lembro muito bem. A verdade é que esse dia foi, mesmo, muito confuso.
Acreditas que pela manhã eu fui ao psiquiatra e ele insistiu em dizer que eu sofro de mentira compulsiva?!







